Sábado, 4 de Julho de 2009

Realidade na escola

Postei há pouco no Twitter um assunto que ocorreu novamente na escola onde trabalho. Mas, diante da minha indignação, aqueles poucos caracteres permitidos não me foram suficientes. Fui abordado pela orientadora pedagógica sobre meu rendimento com algumas turmas. Não nego aqui nesse espaço que em algumas dessas classes um grupo de apenas 10 ou 12 alunos tenham conseguido ficar acima dos 10 pontos necessários. Os que acabam de ler essa informação podem ter a impressão inicial que o professor é o grande culpado dessa situação. Temos, é claro, de estar atentos as atitudes de todos os professores, pois isso realmente pode acontecer. No entanto, visando uma defesa consistente e coerente com a realidade resolvi buscar os motivos de tão baixo rendimento dessas turmas. Ao analisar meus diários mais uma vez deparei-me com uma situação que chama bastante atenção. Boa parte dos alunos sequer entregam os trabalhos. Senhores, meu calendário de provas e trabalhos foi divulgado no início de maio, para eventos que ocorreriam apenas em junho. O estudo é algo que passa distante da prática cotidiana desses alunos. Não possuem qualquer tipo de responsabilidade por seus atos. Aliás, muitos não aprenderam isso em casa. A falta de uma postura mais rígida por parte do estado, da família e da própria escola encoraja os alunos para o contínuo culto a irresponsabilidade e ignorância.

Sabendo desses aspectos procuro ao longo dos meus 3 anos de sala de aula facilitar o máximo possível em minhas provas e trabalhos, justamente visando a cobrança por parte dos superiores. São provas cada vez mais ridículas e superficiais que exigem o mínimo de cada aluno. Estamos dentro de um sistema que privilegia o errado, o aluno que não estuda. Dessa forma, o indivíduo tem inúmeras chances para recuperar sua nota, e mesmo assim não o faz. Apenas para apreciação dos leitores demonstrarei agora como é o funcionamento da escola hoje em dia.

O aluno, dos dez pontos possíveis em um bimestre, é obrigado a tirar apenas a metade. Ou seja, cinco pontos em cada bimestre. Caso não consiga ele tem direito a uma prova de recuperação paralela em cada bimestre. Essa prova tem o poder de substituir a nota mais baixa. Em caso de insucesso, o aluno ainda tem a oportunidade de fazer uma recuperação semestral, geralmente em julho e dezembro, que permite que uma prova valendo dez pontos possa substituir a nota menor de dois bimestres. Caso ainda não consiga se recuperar, o aluno ainda pode ficar reprovado em 2 matérias, empurrando-as para o ano seguinte através das dependências.

Dessa forma senhores, não há como negar que a escola de hoje privilegia o irresponsável. A ânsia por aprovações em busca de verbas faz com que a escola facilite para o “incompetente” e deixe de trabalhar satisfatoriamente com aqueles que aprenderam em casa e no dia-a-dia o valor dos estudos para sua vida futura.

Depois dessa explicação, volto ao início do texto quando a orientadora pedagógica me abordara. O questionamento dela foi o seguinte: “Será que o senhor professor não está cobrando demais dos alunos?” “Quem sabe novas práticas dentro de sala poderiam aguçar a criatividade e atenção dos alunos?”. Veja, a profissional não pode ir direto ao ponto, precisa falar de modo indireto o que de fato ela precisa. Comprovamos, então, que os questionamentos da orientadora não tem qualquer intuito em viabilizar o aprendizado real dos alunos, mas apenas contribuir para que as notas estejam sempre acima de cinco pontos. Ou seja, se sou um professor ridículo que passo o tempo todo sentado sem dar aulas verdadeiras aos alunos, mas que ao final do bimestre todos estão acima da média, de fato sou um professor “nota 10”. Caso busque desenvolver um trabalho coerente com a prática de um verdadeiro profissional, é fato que diante da atual condição da escola e da juventude, os índices não serão satisfatórios para os governantes. Fazendo isso não serei um profissional digno de destaque.

A hipocrisia permeia os meandros educacionais. Somos forçados direta ou indiretamente a aprovar o maior número de alunos possíveis. É assim que o sistema funciona. O que fazer? Continuar com minha luta em favor do desenvolvimento real dos alunos, ou me entregar ao sistema? Acho que esse dilema faz parte da vida de boa parte dos profissionais de educação, que trabalham dentro de sala de aula.

Domingo, 28 de Junho de 2009

Bom professor é aquele cujo os alunos aprendem ...

Mais uma vez venho discutindo as opiniões parciais de muitos estudiosos por aí. Agora foi a vez de Eric Hanushek, educador e economista da Universidade de Stanford. Segundo o estudioso "o bom professor é aquele cujo os alunos aprendem".

Temos de tomar cuidado com tais ideias, pois afirmar isso seria entender o aprendizado apenas como pura transmissão de um lado para o outro. Ou seja, os alunos não aprendem porque os professores são ruíns. E quanto a família desestruturada? A falta de amparo do estado em suas mais variadas esferas? E quanto aos alunos, vítimas de todo processo? Carentes de valores morais, éticos e das necessidades mais básicas de um ser humano. Seria correto apenas atribuir o fracasso da instituição aos profissionais que estão diretamente conectados às salas de aula?

O mesmo estudioso afirma ainda que os novos profissionais deveriam passar por contratos de 5 anos antes da efetivação. Aqueles que por ventura obtivessem desempenhos insatisfatórios deveriam ser retirados do magistério. Seria interessante analisar o que o autor da ideia classifica como "desempenho". Seria apenas ligado aos índices e taxas de aprovação? Em caso afirmativo estaríamos certamente perdidos...

Gostaria de propor o trabalho no magistério para todos aqueles que gostam de dar pitacos ao cotidiano daquilo que não conhecem. Apenas dentro de sala um indivíduo é capaz de saber quais são os gargalos da educação pública.

Finalmente, gosto sempre de reiterar que temos inúmeros profissionais desqualificados para a função. Não nego isso de forma alguma. Entretanto, uso meu espaço para debater as ideias reducionaistas que atribuem soluções simples para problemas complexos.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Imagem que diz tudo …

No post anterior questionei a postura de inúmeros pais em relação as atitudes do filho na escola. O amigo Ery Roberto soube sintetizar tudo através de uma incrível imagem. Tomo a liberdade de deixar aberta para que todos vejam.

14263137-e9f02ef95d79f078f1a8bf8c7bab7807.4a461090-scaled Muito obrigado Ery …

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

A culpa é do professor …

Nos últimos dias venho pensando bastante no que geralmente os críticos da educação vem afirmando. Segundo estes, um dos graves problemas do setor residiria na total falta de preparo dos profissionais ligados a educação. Sem dúvida, é fato que a grande maioria dos profissionais já não exerce sua função como deveria. Muitos, vencidos pelas adversidades, encontram um porto seguro na negligência e descaso com seu ofício. Diante de tamanho descaso dos governantes e de todos, vale a pena mesmo deixar o trabalho de lado e fingir ser professor.

Contudo, venho analisando friamente meus alunos, nas redes municipal e estadual, para buscar a fonte de tanto descaso, desinteresse e indisciplina. Seria a forma tradicional como a escola ainda aborda os temas? A falta de recursos tecnológicos para atrair o aluno? Ou falta de cobrança por parte dos responsáveis?

Sou um profissional que crê bastante no auxílio da tecnologia. Com ela podemos, sem dúvida, enriquecer o trabalho. Mas, na contramão dos especialistas, não credito à tecnologia a solução para todos esses problemas. A abordagem de conteúdo de forma diferenciada por parte do profissional, sempre ajudou a atrair a atenção dos alunos. Mas hoje percebo que somente isso não resolveria os problemas de aprendizado. A última alternativa ligada as atitudes dos responsáveis está, sob minha perspectiva, dentre os principais problemas da nossa atual educação. Muitos não freqüentam a escola, ou mesmo quando presentes atuam no intuito de defender as falcatruas de sua cria. Outros, diante das barbaridades dos filhos, preferem se omitir e esperar que a bomba relógio exploda algum dia com alguém desconhecido.

Chego a perceber que muito dos problemas que a escola vem enfrentando tem íntima ligação com a postura de passividade que a instituição vem mantendo. São escolas que não tomam atitudes efetivas com medo de conselhos tutelares e afins. Enfim, não buscam saber quais são seus reais direitos. Diante da realidade acredito que posturas mais agressivas, metaforicamente falando, seriam mais produtivas. Em muitos casos trabalhando junto da polícia para coibir tantos atos de indisciplina e vandalismo. Até porque é imprescindível o trabalho de cooperação entre as instituições de poder público (saúde, educação e segurança).

Amigos, educação é caso sério e não é de responsabilidade apenas daqueles que estão diretamente ligados a ela. A gama de problemas que nosso país vem enfrentando encontra fundamento na mesma fonte: IMPUNIDADE GENERALIZADA.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Realidade que machuca …

Essa semana iniciei meus trabalhos como funcionário do Estado do Rio de Janeiro. Novos colegas, alunos e rotina. Turmas que antes não havia pegado, como algumas do Ensino Médio, fizeram-me sentir certa tensão e medo de não conseguir desenvolver todo meu potencial como professor.

Fiquei um pouco chateado com um fator que vem sendo continuamente repetido, mas quando temos a oportunidade de senti-lo na pele, a impressão que fica é de que somos cada vez mais impotentes diante da situação. O fator em questão se refere ao tão discutido vestibular e futuro ingresso no mercado de trabalho. Ao lecionar para uma turma de terceiro ano do ensino médio percebi que o tal vestibular é minimamente difundido nessas repartições. Ficou aquele sentimento de que na realidade esses alunos estão ali apenas cumprindo tabela. Estão na escola porque “são obrigados” e ali, no último ano dessa etapa, se encerra sua vida estudantil.

Enquanto isso, aqueles que tem dinheiro para pagar os estudos, conseguem ingressar facilmente nas instituições públicas e gratuitas. Temos a escola pública como a perpetuadora da divisão de classes e concentração de renda na mão daqueles que já as tem. Quando tocado no assunto do vestibular a expressão da maioria dos alunos é de desconhecimento de tal possibilidade. Não porque desconhecem o evento, mas porque tudo está tão longe do seu cotidiano que a grande maioria já descarta a possibilidade de um curso superior. É uma triste constatação que sabemos existir há muitos anos em nosso país.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Tertúlia Virtual: Que lugar te faz sentir em casa

Iniciante nessas correntes mensais, tomei conhecimento da Tertúlia Virtual através do amigo Ery Roberto, do Infinito Positivo. A ideia, muito interessante por sinal, aparece para mim como uma tentativa de integrar os blogueiros para uma causa em comum. Ao mesmo tempo, dá aquela boa sensação de que estamos cooperando com algo, ou mesmo, que estamos mais próximos das pessoas.

Mesmo que não tenha o dom da escrita como o amigo acima citado e de muitos outros da blogosfera, gostei da ideia e resolvi participar na maior cara de pau! O tema desse mês tem tudo a ver com um momento bastante particular em minha vida. Nesse dia 15 inicio uma nova etapa da minha vida, sendo professor do Estado do Rio de Janeiro. Essa sensação de novidade sempre nos deixa um pouco ansiosos. Passamos a buscar incessantemente a rotina que tanto reclamamos. Não conhecer o que está ali logo em frente nos permite temer. Permite que estejamos vulneráveis diante de situações ditas como corriqueiras.

Dessa forma, sentir em casa significa no momento estar tranquilo diante do dia-a-dia, sem preocupações excessivas. A única forma de voltar a me sentir em casa será enfrentar esse mais novo desafio com garra e determinação. Assim, em questão de pouco tempo, voltaremos a rotina tão amada e odiada …

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

“Punir militares é revanchismo”

Para o Ministro da Defesa Nelson Jobim punir os militares que mataram, torturaram e destruíram inúmeros laços familiares seria puro revanchismo. Para ele, os objetivos seriam apenas aqueles ligados a memória dos que morreram nos confrontos.

Assim, mais uma vez nosso país compactua para ideia de um país desigual e incoerente que insiste em proteger criminosos e a sacrificar os cidadãos. Chegamos a conclusão que o Brasil mergulha cada vez mais nesse oceano de impunidades e falcatruas, onde o crime se torna algo cada vez mais compensatório.

Os militares podem e devem ser punidos pelas atrocidades cometidas. Não devemos apagar da memória brasileira o grande número de brasileiros que morreram lutando contra a tirania da ditadura militar.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Sem tempo e sem inspiração …

Quando a falta de um assunto relevante chega não há mesmo o que fazer. Mesmo diante de alguns acontecimentos interessantes a ideia para novas postagens não surgiu e, sendo assim, melhor parar de postar um pouco do que escrever bobagens.

No início dessa semana estive um tanto ocupado com o processo de ingresso na Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro. Finalmente parece que estamos conseguindo acertar os horários aos poucos e a rotina de trabalho irá aumentar um bocado. Serão, a partir da semana que vem, 36 aulas semanais que considero serem suficientes para um trabalho minimamente bom. Acima disso, acredito, passamos a fingir que estamos lecionando …

Será também minha estréia de fato no Ensino Médio e, pelo que alguns amigos vem comentando, são turmas melhores de se lidar em comparação com as séries iniciais do segundo segmento do ensino fundamental.

Tudo tem dado certo para mim na educação e acredito não ser diferente nesse novo emprego. Muito trabalho daqui pra frente!

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

A rapidez da informação …

Sou uma pessoa que sempre se impressiona com a capacidade das informações se propagarem e serem compartilhadas nos dias atuais. Não preciso aqui entrar em detalhes sobre o avião da Air France. Os jornais pelo mundo a fora não falam de outro assunto.

Estou realmente impressionado com o ritmo de informações da mais nova sensação do momento, o Twitter. Se você fizer uma experiência e pesquisar por “Air France” no serviço, verá que a busca lhe avisará constantemente sobre novas postagens sobre o assunto. Se por um acaso se distrair, verá que depois de um certo tempo terá centenas de novas postagens sobre o assunto.

Tudo isso demonstra a velocidade da informação atual. Uma pena que o excesso também contribua para a diminuição da qualidade. Mas, fazer o que? Esse mundo virtual consegue ser mais democrático que o real e, por isso, as opiniões relevantes ou não chegam da mesma forma. Cabe a você filtrar o que lhe é pertinente.

Pena que o ritmo dessas informações de hoje sejam referentes a um assunto tão triste.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Sendo justo …

Escrevi pela manhã um artigo, que está logo abaixo, comentando sobre a falta de atenção da operadora Claro a respeito do meu reembolso. Volto agora para salientar que acabo de receber por e-mail a informação de que a situação foi regularizada e que finalmente irão pagar o dinheiro que havia gasto comprando o modem 3G.

Dessa forma considero estar sendo justo com a operadora, pois ao mesmo tempo em que fui capaz de fazer duras críticas tenho de ser coerente em mostrar que o caso foi solucionado.

Felizmente não tive de tomar medidas mais duras contra a empresa, o que levaria a ter muita dor de cabeça pelos meses a frente.