8 de FHC + 8 de Lula = 16
Tomo a liberdade de divulgar o último artigo do colunista da folha Gilberto Dimenstein. No texto é apresentado de forma clara e sucinta a íntima ligação existente entre o governo FHC e Lula.
Recebi por e-mail há alguns dias uma tabela mostrando os avanços do governo Lula em relação ao FHC, como se esse último em nada tivesse contribuído para o desenvolvimento do país. O texto de Dimenstein cai como uma luva para ilustrar bem esse tema.
A questão aqui não reside em adorar Lula ou FHC, ou mesmo crucificar qualquer um dos dois. Temos na verdade que constatar que ambos foram importantes para o desenvolvimento do país no qual, através desses 16 anos de governo, medidas políticas e econômicas foram mantidas, colocando o Brasil no rumo do crescimento e do desenvolvimento.
É bem verdade que ambos cometeram erros, muitos deles graves. Mas quando comparamos o Brasil de hoje com o de 25 anos atrás, nos certificamos dos grandes avanços conquistados.
Na íntegra:
FHC é o grande padrinho de Lula
Leio análises falando que um dos pontos vulneráveis de José Serra --e teria aparecido na mais recente pesquisa mostrando a subida de Dilma Roussef-- é Fernando Henrique Cardoso, com alta taxa de rejeição. Por isso, o ex-presidente seria escondido na campanha. A verdade é que, por outros motivos, FHC é o grande padrinho de Lula --qualquer pessoa com um mínimo de equilíbrio terá de concordar com isso.
Em essência, o governo Lula é a continuidade da gestão anterior --e aí está um dos pontos mais inteligentes do presidente. Ele pegou a inflação baixa, um país na rota do crescimento, as bases de seu mais importante programa social em andamento (o Bolsa Família). As finanças públicas tinham passado por medidas importantes como a lei de responsabilidade fiscal.
Lula soube aprimorar o que recebeu. Radicalizou a política social, manteve as bases econômicas. Para completar, além da sorte com a descoberta do pré-sal, passou por uma época de crescimento mundial --com exceção dos últimos 12 meses. Não herdasse o que herdou, teria muito menos condições de angariar um prestígio tão grande.
É tolice não reconhecer a habilidade de Lula e seu extraordinário pragmatismo. Mas é tolo não reconhecer que FHC é seu grande padrinho, cuja alta taxa rejeição faz parte daquelas injustiças --mas será reparada pela história.
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Ninguém no PSDB, a começar por José Serra, consegue nem remotamente ter a postura de estadista de FHC.
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.
E-mail: palavradoleitor@uol.com.br







