Nessa tarde de sábado conversava por telefone com um primo distante. Ambos professores, discutíamos quais as reais formas para valorização do profissional do magistério. Chegamos ao consenso de que aqueles que já são professores devem passar por um processo de auto valorização inicial, antes mesmo que exijamos respeito dos demais setores da sociedade. Talvez pela baixa auto estima do profissional, muitas vezes massacrado pelos governos e mesmo pela sociedade, estamos acostumados a interpretar o professor como aquele cidadão de olhos constantemente cansados e com a sensação de que estão a um passo do inferno. Discordo que devemos prosseguir com essa impressão para sociedade.
Devemos, acima de tudo, ter orgulho de ser professor. Veja, não quero propor o esquecimento de todos os percalços da profissão, que não são poucas. Devemos lutar por melhoras constantes, mas sem denegrir ainda mais nossa imagem. Já disse por aqui, somos fundamentais.
Também é fato que muita coisa precisa melhorar. O próprio descaso constante do governo faz com que as licenciaturas venham perdendo adeptos com frequências assustadoras. Não teremos professor no futuro se tudo continuar como está. Muito também pelo fato de outros cursos estarem na moda. Aliás, canso-me de ver pessoas que preferem escolher profissões mais “glamurosas”, mas que ao final acabam sem emprego. Mas deixemos essa questão para uma outra hora.
O fato é que o governo federal, através do ministro Fernando Haddad, enviou um projeto de lei à Câmara para incentivar o exercício do magistério nas novas gerações. Através da medida o universitário que optasse pela licenciatura, e fosse trabalhar em escola pública teria os custos de seu curso pagos pelo governo federal. A ideia é interessante e nos chama atenção. Lembremos que a valorização do profissional além de passar pela auto valorização acima citada, também precisa de melhores condições de trabalho e não apenas benefícios para cursar a faculdade.
A proposta também não garante a inserção de bons profissionais no mercado. Os ruins também terão mais facilidade para se tornarem professores. Sem os atrativos, principalmente financeiros, não há concorrência. A função acaba sendo refúgio daqueles que não tem o mínimo talento para o exercício da profissão. São pessoas excluídas dos meios mais concorridos que vão para o magistério.
De qualquer forma, que esta proposta seja apenas o início de muitas outras que virão. Temos maus profissionais, mas também maus alunos, maus governos e uma sociedade extremamente perversa com a função do professor. Precisamos de mudanças.